LYGIA CLARK

1. Bicho Ponta
alumínio 45 x 45 cm. [1960]

2. Bicho de bolso
alumínio 10,5 x 35 cm. [1966]

LYGIA CLARK
[MINAS GERAIS, 1920 - RIO DE JANEIRO, 1988]


Ex-aluna do paisagista Burle Marx (final dos anos 1940), Lygia Clark passa dois anos estudando em Paris. De volta ao Rio de Janeiro, encontra o Grupo Frente já formado mas participa dele entre 1954-56 e assina o Manifesto Neoconcreto (1959). Conceitua a "linha orgânica": é o espaço que separa dois planos numa superfície composta de vários módulos, um espaço "entre". Esta linha ativa a composição, articulando o fora e o dentro, o vazio e o cheio. Em conferência na Escola Nacional de Arquitetura de Belo Horizonte, em 1956 ressaltou sua crença na fusão entre arte e vida, estendendo essa reflexo para o "ambiental": "O artista poderá pesquisar também em função das linhas que chamarei orgânicas, linhas funcionais de portas, emendas de materiais, de tecidos etc., para modular toda uma superfície. Por um caminho inesperado, fazendo urna dobra nas divisões de um Contrarelevo, depara com duas peças livres no espaço. Assim teria nascido o Bicho (1960): placas de metal articuladas por dobradiças, podendo ser manipuladas pelo sujeito. Para Oiticica, é uma "estrutura móvel", arquitetura que se faz e desfaz", como seus Penetráveis. Morando em Paris, Lygia Clark se aprofunda na temática do corpo ("a casa é o corpo", declara). Quando volta para o Rio de Janeiro, refaz certos objetos para uma aplicação terapêutica. Será erroneamente interpretada como um abandono das questões artísticas.