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Artistas participantes:

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Adriana Varejão
22ª (1994) e 24ª Bienais (1998)
As cartografias de
Adriana Varejão colocam o homem no centro da memória. Seu trabalho se
move na história protagonizada pelo homem colonizado atingido pela
patologia contida no imaginário do colonizador. Suas instalações nos
reportam a um universo contido, massacrante e aparentemente sem saída.
Os trabalhos de Adriana nos remetem a imagens apropriadas da história
da arte. Na opinião de Paulo Herkenhoff sua arte tem se desenvolvido
com a problematização de algumas questões como a patologia do barroco,
a constituição de uma China brasileira, indicativa da presença
histórica de traços da cultura oriental na arte do Brasil. |
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Aldemir Martins
1ª (1951), 2ª (1953),
3ª (1955), 4ª (1957), 5ª (1959), 6ª (1961),
11ª (1971), 13ª (1975), 15ª (1979) e 23ª Bienais (1996)
O eixo central da
obra de Aldemir Martins é o desenho. A singularidade de seu traço
levou-o a participar de muitas exposições no país e no exterior, sendo
premiado em várias edições da Bienal de São Paulo, onde também
trabalhou na montagem. Foi eleito o melhor desenhista da então
fechadíssima Bienal de Veneza de 1953. Essa premiação foi seguida de
várias outras. Na 3ª Bienal voltou a ser laureado e, em 1959,
novamente recebeu o prêmio de melhor desenhista nacional no Salão de
Arte Moderna, quando seguiu para a Itália onde passou a produzir
freneticamente. Ao longo de sua trajetória manteve-se fiel à temática
brasileira, revezando-se entre pintura, gravura, desenho, cerâmica e
escultura em diferentes suportes. Aldemir transforma suas telas, de
cores vibrantes, em soluções cromáticas bem próximas da natureza. A
organicidade de sua produção a faz inconfundível junto com sua
temática: o homem, animais e frutas que se movem num universo
particular. |
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Alex Vallauri
11ª (1971), 14ª (1977),
16ª (1981) e 18ª Bienais (1985)
Com Alex Vallauri, o
grafite sai das ruas, chega à 18ª Bienal e ganha status de obra.
Precursor dessa arte, até então marginal, ele cria seus recortes a
partir do próprio grafismo, trabalhado diretamente sobre os muros da
cidade. Mais tarde, seu trabalho passou a ser exposto em galerias,
transformando-se em bandeira do movimento Com vivacidade, humor e
alegria, acrescentou aos valores estéticos convencionais do desenho,
da gravura e da pintura, as formas, cores e imagens inovadoras que
contribuíram para aprimorar o olhar do espectador não habituado com a
arte alternativa. São Paulo foi um de seus temas favoritos. Sua
“floresta” de concreto está eternizada sobre metal, tela e em algumas
raras paredes e muros. |
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Alfredo Volpi
1ª (1951), 2ª (1953),
3ª (1955), 4ª (1957), 6ª (1961), 15ª (1979) e 24ª Bienais (1998)
Considerado um dos
grandes pintores brasileiros, Alfredo Volpi captou a simplicidade com
sofisticação. De origem muito simples, sempre se interessou pela
paisagem brasileira e extraiu dela azuis, verdes, amarelos e ocres de
uma intensidade especial. Sendo sinceramente despojado, atingiu um
domínio técnico invejável. Seu ateliê era sua “cozinha”, onde
misturava pigmentos com gemas de ovo, óleo de cravo, criando uma gama
de cores Volpi. Sua construção geométrica se traduzia numa
simplicidade desconcertante. |
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Amílcar de Castro
2ª (1953), 6ª (1961), 8ª (1965), 15ª (1979),
19ª (1987) e 20ª Bienal (1989)
Rigoroso e conciso, o
escultor Amílcar de Castro nunca deixou de lado a emoção, que ele
sempre considerou a força motriz de seu trabalho. Para ele a
sensibilidade é vital. Sua escultura, de forte conotação
internacional, deixa transparecer sua forte ligação com o Brasil. A
forma na escultura de Amílcar é gênese, como ele mostrou na 2ª Bienal
de 1989, com suas amplas chapas de ferro. É pura energia cósmica. Por
meio do conhecimento procurava atingir a essência que é comum a tudo o
que existe. Seu rigor geométrico não está ligado a nenhum geometrismo
estetizante. Nasce praticamente no fazer. |
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Antonio Bandeira
1ª (1951), 2ª (1953),
3ª (1955), 5ª (1959), 6ª (1961), 18ª (1985) e
20ª Bienal (1989)
Em Antonio Bandeira,
a criação artística prescinde de grande dosagem de lirismo. Como ele
mesmo dizia, “sempre, observador e contemplativo, fui tomando conta de
tudo, olhando pelo ângulo da visão e do sentimento, observando seres,
coisas, objetos a meu redor. Tudo é útil como fonte de inspiração:
alegria, sofrimento, multidão, solidão, coragem, medo, homens,
mulheres, crianças, animais, cidades, árvores, vento, céu, mar,
sonhos, astros, peixes, insetos, riqueza minha e dos outros, miséria
minha e dos outros…”. Na 2ª Bienal recebe o Prêmio Fiat e em 1989, na
20ª, tem sala especial. Tanto na pintura quanto nos guaches ele se
manteve fiel ao informalismo, até a sua morte em 1967. |
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Antonio Dias
16ª (1981), 22ª (1994) e 24ª Bienais (1998)
A crítica francesa
Catherine Millet, uma das conhecedoras da obra de Antonio Dias, afirma
que “(...) não há obra mais relativa que a de Antonio Dias. Toda a
interpretação depende do ponto de vista do espectador, mas todo ponto
de vista depende do espaço em que o espectador se situa”. Em toda sua
trajetória ele se empenhou no processo de problematização, mantendo
rígido controle sobre o sentido da obra. Do conceitual à
desmaterialização, seu discurso permeou a política, transmutação e
re-significação. |
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Beatriz Milhazes
24ª Bienal (1998)
Nas telas de Beatriz
a pintura é aplicada sobre pintura criando um tecido que submerge de
baixo da textura. Suas formas supercoloridas florescem num espaço
multifacetado. O movimento é constante, resultado de formas
justapostas, nesse caleidoscópio que fala um idioma próximo ao
carnavalesco. Beatriz usa um método de monotipia que prepara as
imagens sobre plástico transparente, controlando a densidade da
matéria pictórica. Seu desenho privilegia gestos circulares que se
afloram em cores e motivações barrocas. |
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Bruno Giorgi
1ª (1951), 2ª (1953),
4ª (1957) e 9ª Bienais (1967)
Max Bense, um dos
estudiosos de Bruno Giorgi, dividiu sua escultura em
clássicofigurativa, barroco-vegetativa e arcaico-tectônica, ou mais
simplificadamente, em estática, dinâmica e tectônica. Fases que
correspondem respectivamente às décadas de 40, 50 e 60. A primeira
fase, ainda marcada pelos estudos acadêmicos, o preparou para o que
viria depois. Nas décadas seguintes, esteve na Bienal de São Paulo por
quatro vezes, sendo premiado na segunda edição, quando sua produção
era mais centrada em bustos e retratos e os corpos femininos ora se
tornavam pesados e gordos, num ‘renoirismo escultural’, como observou
Mario Schenberg, ora se alongavam, quase líricos. |
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Cláudio Tozzi
9ª (1967), 10ª (1969), 14ª (1977), 20ª (1989) e
21ª Bienais (1991)
Raros artistas se
mantêm fiéis a uma técnica como Cláudio Tozzi. Sua pintura traz em seu
núcleo uma estrutura organizada, em que pulsa um formalismo
multifacetado. Tozzi chegou a várias pesquisas, muitas delas exibidas
em edições da Bienal de São Paulo, como a tela Até que Enfim, de forte
influência pop. Depois de várias fases, seu discurso flui nas
expansões orgânicas em que formas se superpõem em uma estrutura de
polietano. Em 1991 seu cromatismo se expande em recortes que nos
remetem a Miró. Como raros artistas, conseguiu consagrar um estilo em
que o uso da cor foi originado de um conceitualismo em mutação
permanente, abrindo espaço para outros materiais. |
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Daniel Senise
18ª (1985), 20ª (1989) e 24ª Bienal (1998)
Um dos nomes
marcantes da geração 80, Daniel Senise pode ser considerado um dos
pintores de seu tempo mais reconhecido no Exterior. Os tons sóbrios
que caracterizaram a antropologia de sua obra, posteriormente dão
lugar às cores mais fortes e vivas, trabalhadas com gestos largos e
carregados de materialidade. Sua pintura diz respeito às texturas e
formas. São algumas de suas obras: Ex-Voto (1989) e as séries Ela que
não Está e Bumerangue (1994). |
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Danilo di Prete
1ª (1951), 2ª (1953), 3ª (1955), 4ª (1957), 5ª
(1959), 6ª (1961), 7ª (1963), 8ª (1965), 9ª
(1967), 11ª (1971), 12ª (1973), 13ª (1975),
15ª (1979), 20ª (1989), 24ª Bienais (1998)
Danilo Di Prete
dividiu o júri da 1ª Bienal de São Paulo, ao ser premiado com a
pintura figurativa Os Limões. De sua paleta nasciam
naturezas-mortas corretas. Mais tarde tornou-se um artista multimídia,
experimentando materiais variados, não convencionais, como motores
elétricos, arames, ganchos, enfim todo tipo de sucata. Di Prete chegou
a ser influenciado pelo abstracionismo informal e, num momento de
ruptura com seu percurso, abraçou a arte cinética, desenvolvendo um
trabalho conceitual. Ao definir seu trabalho costumava dizer que
embora envolvido com o figurativo, seu trabalho já despontava para um
discurso espacial, como sintetizou na obra Três Imagens. |
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Di Cavalcanti
1ª (1951), 2ª (1953), 7ª (1963), 11ª (1971),
15ª (1979) e 18ª Bienais (1985)
Di Cavalcanti é um
dos artistas emblemáticos da cultura brasileira. A riqueza das cores,
formas e luminosidade se somam aos temas do cotidiano e compõem
símbolos de uma brasilidade personificada em mulatas sensuais, foliões
e pescadores. A tela Pescadores sintetiza essa diversidade cultural
brasileira, um caleidoscópio com fortes referências indígenas e
africanas. Suas telas foram reconhecidas na terceira bienal de 1957,
quando arrebatou o prêmio de melhor pintor nacional. |
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Flávio de Carvalho
1ª (1951), 2ª (1953), 3ª
(1955), 7ª (1963), 8ª (1965), 9ª (1967), 11ª (1971), 12ª (1973), 15ª
(1979), 17ª (1983), 18ª (1985), 19ª (1987), 20ª (1989) e 24ª Bienais
(1998)
Pode-se dizer que
Flávio de Carvalho passou por quase todas as vanguardas históricas.
Anarquista, deixou de lado o abstracionismo que chegou no país no
final da década de 40 para ficar. Paulo Mendes de Almeida o
classificava como um “chacoalhador de idéias”. Em performance
permanente ele fundou o Clube de Arte Moderna, uma espécie de quartel
general de manifestações consideradas escandalosas, que muitas vezes
eram repreendidas pela polícia. Escritor, filósofo, arquiteto, pintor,
desenhista, Flávio de Carvalho, com seus traços vigorosos de cores
violentas, se afirmou como um dos artistas brasileiros mais inventivos
e transgressores de todos os tempos. Sua presença em várias bienais
contribuiu para consolidar a arte contemporânea no país. |
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Flávio Shiró
1ª (1951), 4ª (1957), 5ª
(1959), 6ª (1961), 7ª (1963), 8ª (1965), 9ª (1967), 18ª (1985) e 20ª
Bienais (1989)
Na quarta edição a
Bienal começava a firmar-se como grande mostra e provar ao mundo que
chegou para ficar. Corria o ano de 1957 e a bienal trazia para São
Paulo a action painting do norte-americano Jackson Pollock. Ao lado de
figuras já importantes no mercado internacional, Flavio-Shiró
despontava. No final da década de 50 e nos 60, seus trabalhos são
carregados de materialidade e executados com um expressionismo
exacerbado. Na década seguinte, o grafismo e as artes gráficas tomam
corpo em sua produção e, na década de 70, promovem uma simbiose entre
as fases anteriores. Seu abstracionismo expressivo é operado com
pinceladas carregadas de emoção, com cinzas intensos que recebem
algumas infiltrações de cores. |
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Frans Krajcberg
1ª (1951), 2ª (1953), 3ª (1955), 4ª (1957), 6ª (1961), 7ª (1963), 8ª
(1965), 14ª (1977) e 20ª Bienais (1989)
Um dos pioneiros da
arte ecológica no Brasil, Frans Krajcberg ao longo de sua vida está
engajado na preservação ambiental. Usando como matéria-prima a própria
natureza, ele utiliza como recurso a metalinguagem, permitindo que a
natureza-morta surja das peças feitas com fragmentos da devastação
provocada pelo homem. Ele se divide entre o bidimensional e o
tridimensional, que levou à 14ª Bienal de 1977, sendo premiado como o
melhor escultor nacional. O crítico francês Pierre Restany, com quem
ele escreveu o Manifesto do Rio Negro junto com Bandereck, comentava
que Krajcberg pertence a uma raça de homens raros, automarginalizados,
individualistas, mas ao mesmo tempo generosos na sua solidão. A
floresta brasileira foi ao mesmo tempo o meio, o teatro e o agente de
uma verdadeira renovação humana – a redenção de Krajcberg pela arte. |
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Franz Weissmann
1ª (1951), 2ª (1953), 3ª (1955), 4ª (1957), 8ª (1965), 9ª (1967) e 19ª
Bienais (1987)
Uma grande ruptura na
arte brasileira ocorreu na 1ª Bienal, em 1951, com a premiação de
Unidade Tripartida, de Max Bill. A presença do escultor suíço teve
impacto na obra de vários artistas, especialmente na de Franz
Weissmann. No entanto, no início da década de 50 ele já ensaiava sua
entrada na abstração quando inscreveu na 1ª Bienal uma primeira versão
do Cubo Vasado. A comissão de seleção o reprovou, mas seu trabalho
figurativo foi aceito. Como ele mesmo disse, seu trabalho surgia de
momentos de inspiração, nascidos da emoção e não do raciocínio.
Weissmann adensou a leitura da arte brasileira em várias versões da
Bienal. |
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Geraldo de Barros
1ª (1951), 2ª (1953), 3ª (1955), 9ª (1961), 15ª (1979) e 21ª Bienais
(1991)
Politicamente
engajado, Geraldo de Barros é um dos mais coerentes artistas
brasileiros. Ele militou em frentes múltiplas, acreditando na função
social do artista. Atuou em associações de classe, apostando que
caberia ao artista educar o gosto das massas,
utilizando o desenho industrial e suas várias aplicações, como artes
gráficas edesign de móveis. Para ele, o desenho não representa, é uma
idéia visível. Essa postura inspirada na teoria da Gestalt, poderia
ser observada em seus desenhos a partir de 1947, quando foi
introduzido na teoria pelo crítico Mário Pedrosa. Seu geometrismo em
branco e preto, a partir da década de 70, retoma a idéia de relacionar
formas no espaço, utilizando a fórmica como suporte. Na série dos
cubos em branco e preto esse procedimento atinge sua radicalidade,
como demonstrou na Bienal de 1979. |
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Hélio Oiticica
4ª (1957), 5ª (1959), 8ª (1965), 14ª (1977), 22ª (1994) e 24ª Bienais
(1998)
A trajetória de Hélio
Oiticica é uma das mais ricas da história das artes plásticas
brasileiras. No final dos anos 50, com Metaesquemas, em plena
militância no movimento concreto, ele faz uma reflexão sobre os
elementos da pintura, cor e espaço. Depois inicia a fase
tridimensional na qual está inserida a obra Relevo Espacial V12,
trabalhada com superfície em ângulos diferentes, que integram o
espaço. Todas as suas participações na Bienal de São Paulo são
emblemáticas de sua inquietação e inventividade permanentes. Em fases
posteriores ele valoriza a obra interativa que pede a participação do
espectador. Cada trabalho está carregado de provocações que nos levam
a uma reflexão sobre as condições sócio-político-culturais do país. |
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Iberê Camargo
1ª (1951), 5ª (1959), 6ª (1961), 7ª (1963), 11ª (1971), 13ª (1975),
15ª (1979), 18ª (1985), 20ª (1989), 21ª (1991) e 22ª Bienais (1994)
Na obra de Iberê
Camargo pulsam energia, eletricidade e pinceladas nervosas. Sua
pintura tem o poder tátil e sensorial que nos coloca diante da
tentação de tocá-lo. Os cinzas densos que o caracterizaram recebem
sugestões de geometrismo indicando pontos de transmutação. Nas Bienais
em que expôs, demonstrou a força da pintura, mesmo diante da presença
devastadora de outros suportes. Mesmo quando a arte ambiental já
tomava conta do Ibirapuera, Iberê Camargo conseguia se sobrepor à
parafernália das instalações. Sua obra contextualiza a resistência de
um número significativo de artistas diante do avanço da arte
conceitual na qual a idéia é mais importante que o resultado formal da
obra. |
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Ione Saldanha
2ª (1953), 3ª (1955), 4ª (1957), 5ª (1959), 6ª (1961), 7ª (1963), 8ª
(1965), 9ª (1967), 10ª (1969), 12ª (1973) e 15ª Bienais (1979)
A cor é o ponto de
partida para o discurso visual de Ione Saldanha que tangencia a
experiência dos neoconcretos. Nos anos 60 sua arte salta das paredes e
ganha o chão, quando a tridimensionalidade torna-se sua opção. A
diversidade de suportes e opções matéricas torna-se seu trabalho
aberto, como ocorreu com as bobinas em que operou com liberdade formal
no uso das cores. Na Bienal de São Paulo mostrou os Bambus, um
exercício de deslocamentos de planos que formalizam conceitos
neoconcretos. Desde o início Ione trabalha com o binômio cor/linha,
inserindo campos de cores com emanações luminosas que resultam numa
pintura/objeto carregada de plena alegria formal. |
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Ismael Nery
8ª (1965), 10ª (1969), 18ª (1985), 19ª (1987), 24ª Bienais (1998)
Formado em filosofia
preferia ser chamado de pensador a artista. Estudioso, criou um
sistema filosófico, que chamou de Essencialismo, o qual nunca a chegou
a publicar. Preferia fazer versos a pintar. No entanto não dispensava
a Bienal de São Paulo, tendo exposto seu trabalho em várias ocasiões.
A última foi há seis anos. A produção de Ismael Nery pode ser dividida
em dois grandes momentos. O primeiro quando optou pelo cubismo
influenciado por Picasso e depois o surrealismo, movimento que o
personalizou e no qual militou até 1934. A oitava Bienal de São Paulo,
1985, colocou foco no conjunto de sua obra com uma Sala Especial no
segmento Surrealismo e Arte Fantástica. |
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Ivald Granato
15ª (1979), 16ª (1981), 18ª (1985), 20ª (1989) e 21ª Bienais (1991)
Em performance
permanente, Granato opera em várias áreas com uma visão muito
particular do mundo. Suas pinturas explodem em gestos rápidos e
pinceladas largas e precisas. Ele estabelece intervenções nas telas,
criando tensões dentro de uma diversidade de procedimentos. Inquieto,
não se prende a um só suporte e navega pelas performances de cunho
teatral nas quais o personagem, ele mesmo, é multiplicado em outros.
Em seus recortes congela o gesto movido por uma profusão de cores e
traços precisos. |
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Ivan Serpa
1ª (1951), 2ª (1953), 3ª (1955), 4ª (1957),
6ª (1961), 7ª (1963), 8ª (1965), 12ª (1973), 15ª (1979), 18ª (1985),
20ª (1989) e 21ª Bienal (1991)
Quando a 1ª Bienal de
São Paulo foi anunciada, criou um alvoroço entre os jovens artistas de
São Paulo. O mercado ainda era amador e raras exposições de arte
contemporânea chegavam por aqui. Ivan Serpa foi um dos entusiastas da
criação de uma Bienal, bem nos moldes da Bienal de Veneza, instalada
logo ali, na avenida Paulista, onde aconteceu a primeira edição. Serpa
se encheu de coragem e inscreveu seu trabalho. Teve sorte, passou pelo
crivo do júri de seleção e saiu laureado com o Prêmio Jovem Pintor
Nacional, com seu trabalho Formas, carregado de lirismo traduzido em
gamas de cores rebaixadas. |
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Jac Leirner
17ª (1983) e 20ª Bienal (1989)
Quase nada escapa ao
olhar atento de Jac Leirner, uma das revelações da Bienal de São Paulo
que, em 1989, provocou uma dialética entre o mundo da arte e a
sociedade de consumo ao reunir em uma instalação sacos de plásticos de
várias procedências.
Uniu sacolas de museus ou de livrarias de arte, criando um imenso
patchwork, que tomava toda uma parede. Essa instalação teve outros
desdobramentos e um deles pulsa no chão nesta coletiva. Ainda outros
trabalhos chamariam a atenção da crítica internacional, como a série
Os Cem, de 1985/1987, em que trabalha notas de 100 cruzeiros. As
cédulas furadas no centro e presas em longas tiras serpenteiam o chão
e dão margem a várias interpretações, como uma metáfora do homem que
se arrasta em busca do “vil metal”. |
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Jorge Guinle Filho
17ª (1983), 18ª (1985) e 20ª Bienais (1989)
O traço forte de
gestos largos e precisos fez de Jorge Guinle Filho (1947-1987) um dos
pintores brasileiros mais interessantes surgidos no final dos anos 70.
A abrangência de sua pintura o notabilizou dentro e fora do Brasil. A
cultura artística acumulada foi um dos fios condutores de sua
inventividade. Sua trajetória curta, mas intensa e de qualidade, foi
suficiente para inseri-lo na história brasileira das artes plásticas.
Em 1983 foi convidado a participar da 17ª Bienal de São Paulo e, em
1989, na 20ª edição, foi homenageado com Sala Especial. Sua
persistência na pintura também serviu de incentivo aos jovens
neo-expressionistas integrantes da chamada Geração 80. |
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José Resende
9ª (1967), 17ª (1983), 20ª (1989) e 24ª
Bienais (1998)
José Rezende sabe
extrair a potencialidade dos variados materiais que escolhe. De papel
à parafina, tecido, passando por lâminas de chumbo, cabos de aço,
chapas e ampolas de vidro, ele valoriza o caráter expressivo de cada
elemento. Como observou Sheila Leirner, por mais física e material que
seja, nenhuma ação artística profunda está livre da carga subjetiva do
artista. Conceitual e plástico, ao mesmo tempo lógico e irracional,
frio e apaixonado, cético e crédulo, José Resende utilizou um conjunto
de linguagem cada vez mais ambivalente em sua fragilidade e elegância,
que pôde ser conferido na 17ª edição da Bienal de São Paulo. |
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José Roberto Aguilar
7ª (1963), 8ª (1965), 9ª (1967), 10ª (1969),
14ª (1977), 15ª (1979) e 18ª Bienais (1985)
Aguilar foi o
primeiro artista brasileiro a trazer para o vídeo a antiestética
tropicalista e underground, projetada no cinema de Rogério Sganzerla e
no teatro de Zé Celso. O Brasil engatinhava na arte eletrônica quando,
nas bienais dos anos setenta, Aguilar e Lucila Meirelles filmavam com
uma pesada câmera bem menos potente que uma mini câmara digital dos
dias de hoje. Pioneiro de uma arte mal compreendida no Brasil, com o
tempo seu trabalho ganhou espaço e transformou-se em concertos de
vídeo arte com o uso de dois gravadores e dois monitores sincronizados
em contraponto. Aguilar é o exemplo mais bem acabado do artista
multimídia que atua na poesia, vídeo, pintura e música. |
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José Rufino
25ª Bienal (2002)
Bienais podem ser um
emaranhado de gestos, estilos, tendências e procedimentos. Em meio à
multiplicidade de linguagens José Rufino foi destaque na 24ª edição da
Bienal de São Paulo com uma instalação ímpar. Investigou a ditadura
militar brasileira e reuniu cartas de presos políticos, trabalhando
sobre elas. Na Bienal de Havana, de 1997, mostrou a instalação
Lacrymatio em que usa fios para ligar essas cartas a uma cadeira, que
o público interpretou como cadeira elétrica para execuções. A partir
dessa exposição Rufino passou a refletir sobre os desdobramentos
naturais dessa instalação, que mais tarde geraria Plasmatio. Embora
jovem, ele já construiu uma trajetória internacional, sem sair da
Paraíba. |
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Lygia Clark
2ª (1953), 3ª (1955), 4ª (1957), 5ª (1959),
6ª (1961), 7ª (1963), 9ª (1967), 12ª (1973), 20ª (1989), 22ª (1994) e
24ª Bienais (1998)
Nome recorrente em várias bienais, Lygia Clark é um dos ícones da
vanguarda brasileira. Seu trabalho transcendeu as fronteiras e chegou
aos grandes centros, onde sua obra é constantemente solicitada para
completar a leitura da arte contemporânea internacional. Em 1961 foi
considerada a melhor escultura nacional e, dois anos depois, foi
homenageada com a Sala Especial, que traçou parte de sua polêmica
trajetória.
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Manabu
Mabe
2ª (1953), 3ª (1955), 5ª (1959), 6ª (1961),
7ª (1963), 8ª (1965), 9ª (1967), 11ª (1971), 12ª (1973), 13ª (1975),
15ª (1979), 20ª (1989) e 24ª Bienais (1998)
O abstracionismo de
Manabu Mabe traz em sua essência a forte influência oriental. Ele faz
parte do grupo de informalistas japoneses que se dedicou a uma pintura
matérica de cores fortes. Como diversos artistas que estiveram em
várias bienais, Mabe construiu sua ponte para o mundo por meio de suas
participações na exposição paulista que, a cada ano, arrasta
multidões. Seu abstracionismo é caligráfico, com manchas densamente
carregadas de matéria que pulsa, expandindo o campo da tela. O
vermelho predomina em suas obras da década de 60, e sobre ele,
amarelos e pretos redesenham o espaço. |
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Marcelo Grassman
1ª (1951), 2ª (1953), 3ª (1955), 5ª (1959),
6ª (1961), 9ª (1967), 10ª (1969), 15ª (1979) e 18ª Bienais (1985)
Como muitos
gravadores, Marcelo Grassmann no início de sua arte optou pela
xilogravura. Nome constante das bienais de São Paulo foi o premiado na
segunda edição como o melhor gravador nacional. Influenciado pelo
Renascimento, seus temas navegam pelo universo atormentado de Bosch e
de alguns artistas medievais. Em sua alegoria homense bichos compõem
um realismo fantástico como o apresentado na bienal de 1963. |
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Marcos Coelho Benjamim
20ª (1989) e 21ª Bienais(1991)
No trabalho de
Benjamim, a adequação entre a linguagem e a forma tem relação direta
com seus primeiros contatos com a arte na molduraria de seu pai. Ainda
menino aprende a manusear as ferramentas. O popular em sua arte está
inserido em suas sofisticadas composições em que a harmonia formal e
conceitual dá vida a materiais encontrados entre os descartados pela
sociedade. Lâminas de metais dobradas, repetidas à exaustão, de forma
simétrica, dão forma a desenhos racionalistas. A arte de Benjamim é
limpa nos traços e invoca a desmaterialização do espaço com ritmos
precisos, chegando a soluções originais de caráter ótico ou
simplesmente geométrico, radicalizadas na vigésima edição. |
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Maria Bonomi
3ª (1955), 5ª (1959), 7ª (1963), 8ª (1965),
9ª (1967), 12ª (1973) e 20ª Bienais (1989)
Apesar dos efeitos
devastadores do boicote internacional, devido à ditadura militar, a
produção brasileira sobreviveu à década de 60. Muitos se posicionaram
contra a ditadura, que chegou a censurar obras expostas, mas não
deixaram o Ibirapuera. Eles preferiram permanecer e fazer resistência
com abaixo assinado e sobretudo com obras de cunho político. A
gravadora Maria Bonomi é emblemática dessa resistência
político-cultural que refletiu nas bienais. Sua gravura provocou
rupturas. Em 1967 recebe o prêmio de melhor gravadora, com as obras
Liberdade Condicional e Balada do Terror, que narra a história da
tortura de Dulce Maia. |
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Maria Martins
1ª (1951), 2ª (1953), 3ª (1955), 8ª (1965),
12ª (1973), 15ª (1979), 19ª (1987) e 24ª Bienais (1998)
Maria Martins foi uma
das primeiras escultoras brasileiras a ter reconhecimento
internacional. Em 1941 já realizava sua primeira individual em
Washington. Seu convívio com Mondrian, Duchamp, Tanguy e Calder e seus
contatos permanentes com o poeta surrealista André Breton,
influenciaram sua arte. A proximidade com a vanguarda histórica fez
com que Maria fosse convidada a participar da criação da Bienal de São
Paulo, em 1951. Presença constante em várias edições, foi premiada na
terceira edição como a melhor escultora nacional. Influente, ajudou
Ciccilo Matarazzo Sobrinho, idealizador e presidente da Bienal de São
Paulo, a convencer Picasso a enviar Guernica para a segunda edição, em
1954, ano do quarto Centenário de São Paulo. |
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Milton da Costa
1ª (1951), 3ª (1955), 4ª (1957) e 6ª Bienais
(1961)
Milton Dacosta se
insere na terceira geração modernista brasileira. Na quarta edição da
Bienal desceu aos infernos. O júri de seleção cortou 80% das obras e
seu trabalho teve uma recusa parcial. Os jurados não entenderam seu
abstracionismo influenciado pelo cubismo, com o qual manejava imagens
que se apropriavam de todo campo pictórico. Dacosta antecipava seu
tempo. Foi um dos primeiros artistas a retratar edifícios em suas
paisagens urbanas, inseridos num construtivismo intimista. Sua
paisagem talvez incomodasse ao ser executada em geometria pura,
inspirada em retângulos pensados, divididos em linhas verticais ou
horizontais que se distribuem no meio da tela. |
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Mira Schendel
7ª (1963), 8ª (1965), 9ª (1967), 10ª (1969),
16ª (1981), 20ª (1989), 22ª (1994) e 24ª Bienais(1998)
Raros artistas têm o
domínio conceitual de seu trabalho como Mira Schendel. Formada em
filosofia e com preocupações metafísicas, ela sempre se diferenciou
com seu discurso analítico. Sua experimentação gira em torno do
espaço, valendo como silêncio ou vazio, e da pureza lingüística. Na
obra de Mira o sentido das coisas é apenas insinuado, sugerido. Cabe
ao espectador buscar o significado, ou simplesmente esperar que essa
significação se manifeste. Como construtiva, Mira Schendel realizou
pinturas nas quais a geometria incide diretamente sobre a matéria
pictórica. Seu conceitualismo deixou emergir signos e letras num
curioso jogo gráfico. |
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Nelson Leirner
7ª (1963), 8ª (1965), 9ª (1967), 20ª (1989)
e 25ª Bienais (2002)
Um dos mais inquietos
e inventivos artistas brasileiros de todos os tempos, Nelson Leirner
desde os primeiros anos assumiu uma atitude irreverente diante do
comportamento do circuito das artes plásticas. Compreenda-se circuito
por galeristas, marchands, diretores de museus, jurados,
colecionadores, críticos de arte, jornalistas e os artistas. Essa
irreverência permanente se estendia a todos os integrantes do Grupo
REX, do qual foi um dos fundadores, em 1966. As obras de Nelson
Leirner trazem a tradição da pop art, questionam o caráter de obra
única, a desmistificação da aura de arte e seu local expositivo. Na
Bienal de 1967 presta homenagem a um dos artistas que o influenciou
com a série Homenagem a Fontana. |
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Oswaldo Goeldi
1ª (1951), 2ª (1953), 3ª (1955), 6ª (1961),
10ª (1969), 11ª (1971), 15ª (1979), 18ª (1985), 19ª (1987) e 24ª
Bienais (1998)
Nas imagens urbanas
criadas por Oswaldo Goeldi há uma atmosfera de solidão profunda.
Figuras humanas se perdem em ruas, becos e praças mal iluminadas de
cidades indiferentes à presença de cada um. Há também em suas gravuras
uma atmosfera dominada pelo escuro, só rompido pela luz branca
filtrada ou por pequenas superfícies de cor. Em seu imaginário,
pescadores, peixes e o mar protagonizam cenas que denotam uma solidão
profunda. Suas xilogravuras são emblemáticas do conflito do ser humano
e uma das melhores tradições da arte brasileira. Os trabalhos de
Goeldi estiveram presentes na Bienal de São Paulo, em quase todas as
décadas sendo um dos mais expostos, em toda a história da mostra
paulista. |
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Rubem Valentim
3ª (1955), 5ª (1959), 6ª (1961), 7ª (1963),
9ª (1967), 10ª (1969), 12ª (1973), 14ª (1977) e 23ª Bienal (1996)
A 14ª Bienal, de
1977, foi a primeira realizada sem a presença de Ciccilo Matarazzo,
seu idealizador e que morreu no mesmo ano. As mudanças chegavam ao
Ibirapuera quando foi criado o Conselho de Arte. Nesse clima de
alteração Rubem Valentim se apresentou com peças influenciadas pelo
sincretismo religioso que tem relação direta com a arte brasileira. Os
totens trazem uma caligrafia única, resultado da reunião do barroco
católico e do candomblé, um resgate de símbolos ornamentais carregados
de conotação espiritual. |
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Rubens Gerchman
8ª (1965), 9ª (1967), 15ª (1979), 18ª (1985)
e 21ª Bienais (1991)
No início da década
de 1960, Gerchman estava envolvido com uma arte de militância na qual
a realidade do cotidiano se refletia nas páginas dos jornais e das
revistas populares, tornando-se sua matéria prima preferida. Em telas
de um colorido intenso esquadrinhava cenas dos subúrbios, de
desaparecidos da ditadura militar, mulheres na praias, “Lindonéias” no
banco detrás de automóveis, torcedores de futebol, tudo temperado com
um gosto estético próximo ao pop-kitsch. Sua inquietação sobre a
realidade é permanente. Na 18ª Bienal em que foi montada a Grande
Tela, três corredores de 100 metros cada um, ele contribuiu para
adensar o segmento Expressionismo no Brasil: Heranças e Afinidades. |
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Sérgio Camargo
3ª (1955), 4ª (1957), 8ª (1965), 13ª (1975),
15ª (1979), 20ª (1989) e 24ª Bienais (1998)
Na obra de Sergio
Camargo a tridimensionalidade pode estar a serviço da pintura/relevo.
A luz é sua matéria prima e a volumetria parte de seu discurso. Nas
telas brancas a sombra funciona como corte. As pequenas formas
geométricas monocromáticas justapostas promovem ritmos escultóricos
que se modificam segundo um jogo de luz e sombra dependendo do
deslocamento do espectador. Cortadas em ângulos diversos, as peças
denotam infinitas possibilidades de articulações. Como Ronaldo Brito
observou ele busca no jogo aberto e universal de elementos geométricos
anônimos uma possível e problemática identidade subjetiva e moderna.
Sua obra sempre foi destaque nas bienais e em 1968 foi o primeiro
brasileiro a receber uma sala especial na importante Documenta de
Kassel, na Alemanha. |
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Siron Franco
13ª (1975), 15ª (1979), 18ª (1985), 20ª
(1989) e 21ª Bienais (1991)
No ano de 1975 o
Brasil ainda vivia os horrores da ditadura militar quando Siron Franco
recebeu o prêmio de melhor pintor nacional, na Bienal de São Paulo,
com os trabalhos da série “Fábulas de Horror”. A tela O Ditador é
emblemática dessa fase de confronto direto com o sistema. Sua
capacidade de indignação não se alterou ao longo do tempo. Ele soube
conciliar talento e o fazer compulsivo com denúncias. Foi assim em
1987, quando uma cápsula de césio-137, em Goiânia, vazou e atingiu a
população, ou em outras “performances pictóricas”, igualmente
contundentes. |
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Tarsila do Amaral
1ª (1951), 2ª (1953), 7ª (1963), 12ª (1973),
15ª (1979), 19ª (1987) e 24ª Bienais (1998)
A grande dama do
modernismo brasileiro, Tarsila do Amaral, na 1ª Bienal voltou ao vigor
de suas telas da década de 20. Centrada em suas raízes, viajou para a
Europa, mas nunca perdeu sua brasilidade. Na segunda edição, mostra o
resultado de suas experiências anteriores voltando às características
da fase Pau Brasil que a projetou como grande artista. A retrospectiva
reuniu um número considerável de trabalhos de sua rica trajetória.
Participou de outras Bienais e, em 1973, sua pintura ainda chamou a
atenção em meio a uma parafernália que tomava conta do pavilhão e
exigia a participação do espectador. |
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Tomie Ohtake
6ª (1961), 7ª (1963), 8ª (1965), 9ª (1967),
13ª (1975), 20ª (1989), 23ª (1996) e 24ª Bienais (1998)
A 9ª edição da Bienal
de São Paulo consolidou as alterações que começaram a aparecer na 6ª.
O número de participantes brasileiros aumentou e somavam 366, entre
eles 253 estreantes. Tomie Ohtake estava nessa arena. Assim como
grande parte dos artistas nipônicos de São Paulo, ela optou pelo
expressionismo informal, movimento bastante acentuado no final dos
anos 50. Suas cinco pinturas apresentadas se filiavam ao
abstracionismo gestual, explorando a espacialidade. A cor e textura
chamavam a atenção dentro dessa pintura singular trabalhada num jogo
de forma versus fundo, com a superfície das telas dominada pela
materialidade pulsante. |
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Tunga
16ª (1981), 19ª (1987), 22ª (1994) e 24ª
Bienais (1998)
A arte de Tunga está
centrada nos conceitos da natureza e cultura e nas dicotomias entre a
vida e a arte. Como ele mesmo diz, “o artista é um experimentador
ocasional”, mas em seu caso essa máxima perde valor. Ele é um dos
artistas mais inquietos com seu trabalho. Parece viver em pesquisas
permanentes com materiais inusitados. Chumbo, frascos de vidros de
laboratórios, fios metálicos, lâmpadas, seda pura, sinos agigantados
fazem parte do universo muito particular da obra de Tunga, que
invariavelmente provoca impacto. As sofisticadas e ao mesmo simples
composições desses materiais dão vigor e originalidade ímpar a seus
trabalhos. Ele estabelece relações entre diferentes materiais para
criar obras cujas realidades físicas provocam sentimentos de assombro
e perplexidade. Ele desafia e destrói certas relações. Na série das
tranças evoca a história da arte e as impossibilidades da própria
história do homem. Na Bienal de 1989 toma conta do vão livre da Bienal
de São Paulo com uma instalação histórica na trajetória da mostra
paulistana. |
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Yolanda Mohalyi
1ª (1951), 2ª (1953), 4ª (1957), 5ª (1959),
6ª (1961), 7ª (1963), 8ª (1965), 9ª (1967), 11ª (1971), 13ª (1975),
15ª (1979), 18ª (1985) e 20ª Bienais (1989)
O abstracionismo na
obra de Yolanda Mohalyi toma impulso nos anos 50. Sua pintura tanto se
alinhava à figuração expressionista dos primeiros anos, quanto aos
trabalhos abstrato-informais produzidos a partir de 1950. Yolanda
dizia que depois de ver os afrescos de Piero Della Francesca, não
poderia mais seguir no figurativismo uma vez que tudo já havia sido
feito. Daí a opção pelo abstrato, que significava uma ligação com o
universo, a integração com o espaço cósmico. Era uma opção de libertar
a forma da composição invadida por intensidades de luz. Sua paleta
também se transforma. As gamas terrosas do figurativismo dão lugar a
vermelhos, brancos, verdes e azuis luminosos, criando manchas e gestos
livres. Sua pintura permanece atual como demonstrou na 20ª Bienal de
1989. |
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