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“A
solução clara, elegante, de articulações tensas e precárias,
distingue prontamente uma escultura de José Resende. A disparidade
de materiais, o recurso a laços, nós e dobras como agentes de
sustentação, até a posição circunstancial no ambiente, tudo converge
para uma configuração positiva que testemunha a maleabilidade
inesgotável do espaço, a disponibilidade essencialmente plástica do
mundo. E um fator-surpresa intrínseco reforça a sensação de se estar
de frente a uma lírica desinibida, capaz de assimilar toda e
qualquer matéria, armar situações tão diversas e imprevistas quanto
convincentes, e de imediato singularizá-las, torná-las por assim
dizer únicas. Em suma, autenticá-las mediante o poder e a graça da
autoria.”
Ronaldo Brito |